Capítulo 5 — Elementos da Linguagem Ladder
1 Capítulo 5 — Elementos da Linguagem Ladder
Neste capítulo estudaremos os elementos fundamentais da linguagem Ladder, base da programação de muitos Controladores Lógicos Programáveis (CLPs). O objetivo é compreender como contatos, bobinas, relés internos e endereços de entrada e saída são organizados para representar comandos industriais de forma lógica, visual e prática.
1.1 Introdução
A linguagem Ladder foi desenvolvida para aproximar a programação de CLPs da lógica de comandos elétricos a relés. Por isso, sua representação gráfica lembra uma escada, com duas barras verticais e vários degraus horizontais chamados de rungs.
Essa forma de representação facilita o trabalho de técnicos, eletricistas e programadores, pois permite enxergar com clareza a relação entre condições de entrada e ações de saída.
Na prática industrial, a linguagem Ladder é usada em aplicações como:
- acionamento de motores
- partida e parada de máquinas
- intertravamentos
- sistemas de sinalização
- controle de esteiras
- controle de válvulas e atuadores
Antes de estudar temporizadores, contadores e funções mais avançadas, é essencial dominar os elementos básicos da linguagem.
1.2 Estrutura básica de um diagrama Ladder
Um programa em Ladder é formado por linhas horizontais chamadas de rungs. Cada rung representa uma lógica de comando.
De modo geral:
- à esquerda ficam as condições de entrada
- à direita ficam as ações
- a análise do CLP ocorre da esquerda para a direita
- a saída será ativada quando houver continuidade lógica no rung
1.3 Contato normalmente aberto (NA)
O contato normalmente aberto (Normally Open) conduz logicamente quando a variável associada está verdadeira.
1.3.1 Exemplo em Ladder
|----[ I0.0 ]----------------( Q0.0 )----|
Se a entrada I0.0 estiver ativa, a saída Q0.0 será energizada.
1.4 Contato normalmente fechado (NF)
O contato normalmente fechado (Normally Closed) conduz logicamente quando a variável associada está falsa.
1.4.1 Exemplo em Ladder
|----[/ I0.1 ]---------------( Q0.0 )----|
Esse contato é muito utilizado em botões de parada e sistemas de segurança.
1.5 Bobina
A bobina representa uma ação de saída ou uma variável interna que será ativada quando houver continuidade lógica no rung.
1.5.1 Exemplo
|----[ I0.0 ]----------------( Q0.0 )----|
Quando a condição lógica for verdadeira, a bobina será energizada.
1.6 Relés internos
Relés internos são memórias auxiliares utilizadas para armazenar estados lógicos dentro do programa.
Eles ajudam a:
- organizar programas maiores
- criar intertravamentos
- dividir a lógica em etapas
- facilitar manutenção
1.6.1 Exemplo
|----[ I0.0 ]----[/ I0.1 ]--------( M0.0 )----| |----[ M0.0 ]---------------------( Q0.0 )----|
Nesse caso, M0.0 é uma memória interna usada para habilitar a saída.
1.7 Endereçamento de entradas e saídas
Cada CLP possui endereços para identificar entradas, saídas e memórias.
Exemplo comum em materiais didáticos:
I0.0→ entrada digitalQ0.0→ saída digitalM0.0→ memória interna
Fabricantes diferentes podem usar variações dessa notação.
1.8 Exemplo 1 — Acionamento simples de lâmpada
1.8.1 Situação
Acender uma lâmpada quando um botão for pressionado.
1.8.2 Variáveis
I0.0botãoQ0.0lâmpada
1.8.3 Programa
|----[ I0.0 ]----------------( Q0.0 )----|
1.9 Exemplo 2 — Partida com botão de parada
1.9.1 Variáveis
I0.0botão ligaI0.1botão desligaQ0.0motor
1.9.2 Programa
|----[ I0.0 ]----[/ I0.1 ]--------( Q0.0 )----|
O motor liga apenas se o botão de partida estiver pressionado e o botão de parada não estiver acionado.
1.10 Exercícios propostos
- Crie um rung que ligue
Q0.1quandoI0.2estiver ativo. - Projete uma lógica para ligar
Q0.2apenas quandoI0.3estiver ativo eI0.4desligado. - Use um relé interno
M0.0para habilitar uma saídaQ0.3. - Explique a diferença entre contato NA, contato NF e bobina.
1.11 Síntese do capítulo
Neste capítulo foram apresentados os elementos fundamentais da linguagem Ladder:
- contato normalmente aberto
- contato normalmente fechado
- bobina
- relés internos
- endereçamento de entradas e saídas
Esses elementos formam a base da programação em CLPs.